Veneza

Chegamos à Veneza vindo de Milão, para fazer um bate-volta e passar o dia. Fizemos essa viagem de trem, e aqui já vai uma dica importante: existem “duas” Venezas. Uma continental, convencional e simples como qualquer cidade linear, e uma insular, que é a Veneza que todo mundo conhece. Dessa forma, quando se vai comprar a passagem de trem para lá, aparecem duas opções: Venezia Mestre e Venezia Santa Lucia. Mestre fica na parte continental, S. Lucia fica na ilha. O mais indicado para quem estiver fazendo um bate-volta como nós fizemos, é pegar um trem para Santa Lucia, mas caso só haja disponibilidade para Mestre ou os preços estejam compensando, é possível ir de Mestre para a Ilha de Veneza de trem (viagem de 12min, preços entre 1,25 e 8 no site da Trenitália, 2016) ou de ônibus pela linha 8A, veja os horários nesse link, mas esteja atento para a tabela dos dias de semana (feriale) e feriados (festivo).

Não ficamos hospedados nenhum dia na cidade, o que sinceramente lamentamos. Também não entramos em nenhuma igreja ou museu, apenas andamos pelas ruas da cidade. A ilha de Veneza é perfeita para, como você irá ler e ouvir em muitos lugares, vagar sem rumo pelos becos, atravessando rios e se deslumbrando com o clima, com os lugares mais escondidos e mais belos. Veneza é sim, para se perder. Mas deixe para se deslumbrar quando estiver lá, e antes de ir programe-se. A cidade é cara, e os hotéis mais baratos são nas partes menos charmosas. Para ter uma boa ideia de onde se hospedar, de acordo com seu perfil e seu orçamento, recomendamos que você entenda como Veneza funciona. Além da Veneza continental, como em Mestre que fica a 8km da Ilha de Veneza e já é bem mais barato, existem distritos, como Campalto, que ficam a 20 minutos de ônibus e os valores caem para 1/5 dos praticados na ilha (principalmente nos campings). Toda a área continental de Veneza tem relatos de ser bem servida de linhas de ônibus, como a que vai do Aeroporto Marco Polo até Mestre (de onde é possível pegar o trem para a Ilha por 2 euros – preço de 2014). O trem que leva de Mestre a Ilha de Veneza demora 8 minutos e custava 2,90 euros (preço de 2014), à noite o trajeto é feito pela linha de ônibus N1 – veja aqui os horários. Para saber como se locomover em Veneza, não encontramos na época nem agora um site mais completo que este. São muitas informações e pode parecer confuso à primeira vista, mas está tudo ali. Caso tenham dúvidas, podem nos perguntar nos comentários que ajudaremos no que for possível!

Nós apenas caminhamos por Veneza, e nem sequer pegamos o famoso Vapporeto, que é o transporte público oficial na ilha e, apesar de ser emocionante se locomover nos famosos canais interligando as ilhas, é muito caro. Um bilhete para uma única direção, valendo por 75 minutos, custa 7,50 (preço de 2016). A melhor estratégia é comprar as modalidades em que você pode usar o transporte o quanto quiser (incluindo os ônibus na parte continental) por um tempo pré-determinado, existem opções de um, dois, três e sete dias. É possível conferir os preços nesse site (clique em PUBLIC TRANSPORTS, e depois em OFFER DETAILS). Aqui é possível ver o complexo mapa das linhas atendidas pelos Vaporettos. Se quiser um mapa simples apenas com as paradas dos Vaporettos, entre nesse link.

Por mais que a máxima seja se perder pela “Sereníssima” Veneza, um mapa como este pode ser bastante útil. Seja como for, caso esteja perdido, basta procurar pelas placas indicativas, que quase sempre vão indicar direções importantes, como a Piazza San Marco, a Piazalle Roma e a Ponte Rialto (uma das que cruza o Grande Canal, faz parte do caminho entre a Estação Santa Lucia e a Piazza San Marco).

Saindo da Estação de Trem Santa Lucia, você estará de frente para o Grande Canal, e são duas opções: seguir para a direita ou para esquerda para cruzá-lo. Essa parte da ilha ainda não é a paisagem que está no imaginário da maioria das pessoas. São muitas, muitas pessoas andando e o Grande Canal parece uma avenida de uma metrópole, tamanho o tráfego de embarcações de todo tipo. Seguindo para a direita, encontra-se a Ponte della Costituzione. Aqui cabe um parêntese: as pontes em Veneza possuem degraus, e é preciso ter isso em mente caso o viajante seja cadeirante ou se estiver arrastando pesadas malas de rodinhas, não é uma tarefa impossível, mas será bastante cansativo. A Ponte della Costituzione liga a região da estação de trem à Piazalle Roma, onde existe um pequeno terminal de ônibus para as linhas que vem do continente.  Saindo da Estação para a esquerda, que foi a nossa primeira opção, chegamos à Ponte degli Scalzi. A escada dessa ponte é um pouco pior que da Constituzione para quem for cadeirante, além de ser mais cheia de pessoas e vendedores ambulantes. Infelizmente, Veneza não é uma cidade com boa acessibilidade para cadeirantes ou mesmo quem precise se locomover com carrinhos de bebê. Como dissemos antes, não é impossível, mas por conta das muitas pontes (todas com escadas para permitir que as embarcações passem embaixo) o caminho se torna bem cansativo. Seja como for, não deixe de ir a Veneza por conta disso, apenas se planeje para ir o mais leve possível para minimizar o esforço. Vamos repassar a dica que lemos antes de ir pra lá: fuja da multidão. Assim que passar pela Ponte degli Scalzi, desvie seu caminho para fugir da turba de turistas, não se importe em não chegar tão rápido nos principais pontos turísticos. Em Veneza, até as vielas aparentemente mais insignificantes terão algo a oferecer, e é quase que inevitável que você chegue, cedo ou tarde, à cobiçada Piazza di San Marco. Cruzando o Grande Canal, à direita da Ponte degli Scalzi existe uma igreja de cúpula verde chamada San Simeone Piccolo (também conhecida por lá como San Simeone e Giuda), ela está na região (eles chamam de “sestieri”) de Santa Croce. Adentrando essa região, Veneza já irá começar a se parecer com a ideia que a pessoa tinha dela antes de chegar na cidade. Quanto mais dentro da cidade se chegar, mais as pequenas vielas e as pequenas pontes cruzando os canais menores farão você se sentir no cenário de um filme. Claro que nem todos irão compartilhar de nosso afeto pela ilha de Veneza e sua atmosfera, mas não há como negar que se trata de um lugar, no mínimo, diferente e único.

Uma curiosidade: em Veneza, as praças não recebem este nome, com exceção da famosa Piazza San Marco. Lá, os espaços abertos ganham o nome de “campo”. Seguindo em frente a partir da Ponte degli Scalzi e depois à esquerda, está o maior e mais conhecido campo de Veneza, o Campo San Polo, lugar que no século XVII já foi palco de apresentações de teatro, jogos populares, festas abertas ao público e até mesmo uma antiga tradição: as corridas de touros. O local é um grande e tranquilo espaço aberto e lá podem ser vistas a Igreja de San Polo e um poço instalado no século XV. Atualmente o Campo San Polo ainda tem um papel cultural grande, com atividades de cinema (relacionadas ao famoso Festival de Cinema de Veneza) e música, além de ser um dos mais conhecidos pontos de festividades durante o Carnaval de Veneza.  Existem vários “campi” (plural de campo) na ilha, sobretudo em San Polo e San Marco. Você pode procurar por eles (Campo Santa Margherita, San Maurizio, Marin, Santa Maria Formosa, Campo S.S. Giovanni e Paolo, dentre muitos outros) ou apenas encontrar com eles ao caminhar sem destino certo, e essa escolha vai depender de quanto tempo há disponível. Se houver pouco tempo, pesquise sobre cada campo e monte seu roteiro aproveitando os que estiverem no seu caminho e que mais lhe agradarem, seja pela história ou pela paisagem.

Próximo do Campo San Polo está a conhecida (e ponto de referência) Ponte di Rialto. Trata-se de uma ponte coberta e a mais antiga (em forma de arco) de Veneza. No caminho de San Polo até ela está o famoso Mercado de Rialto. Esse é um dos locais onde você reencontrará a turba de turistas que, se tudo correu bem, você despistou. O Mercado de Rialto é muito antigo, tendo sido um dos mais importantes da Europa, e já no século XV recebia tantas pessoas e comerciantes que ele foi a motivação da implantação definitiva da ponte que recebeu seu nome. Ainda que seja possível encontrar muita coisa à venda na área do Rialto, como souvenires e roupas, o clássico mercado atualmente é uma feira livre, onde se vendem frutas, hortaliças e peixes.  Indo pela manhã, é possível aproveitar a feira em seu momento mais tranquilo, e ainda comprar saladas de frutas ou sucos frescos. A Ponte di Rialto liga os bairros ou “sestieri” de San Polo e San Marco. Atravessando a ponte, do lado de San Marco existem muitas lojas, barracas vendendo souvenir, máscaras, lanches. Esta é a parte de Veneza onde as pessoas se aglomeram, e haverá muita gente por todos os lados em San Marco. Nós poderíamos tentar explicar como chegar da Ponte Rialto até a Piazza San Marco, mas como vários caminhos são possíveis, o que faz mais sentido é recomendar que você siga as placas indicativas, elas ficam presas nos prédios, fundo amarelo e uma flecha indicando a direção. Não são todas as esquinas em que se irá encontrar placas, mas é pouco provável que a pessoa não encontre nenhuma.

Chegando na Piazza San Marco (Praça de São Marcos), encontramos a praça cheia de pessoas, e pelo que confirmava os patamares de madeira e as grandes poças, ela costuma também encher de água quando a maré sobe. Inclusive o fenômeno tem um nome especial por lá: “acqua alta”. A Piazza San Marco é um dos pontos mais baixos da cidade e alaga com bastante frequência, mas dependendo do nível da maré, a inundação pode ocorrer em mais de 90% da cidade (como nos anos de 1966 e 2008). Na Piazza San Marco estão alguns dos principais monumentos de Veneza. A Basilica di San Marco (ou Basílica de São Marcos) é a principal e mais famosa igreja de Veneza, construída no local onde está hoje ainda no século IX. Com arquitetura própria do Império Bizantino, ela tem sua planta e estilo inspirados na Basílica de Santa Sofia (Hagia Sophia), que fica em Istambul. Sua fachada mudou pouco ao longo dos séculos, mas recebeu muitas contribuições em mármore, madeira e outros elementos, ajudando a fazer dela um edifício único e que enche os olhos de quem anda pela praça. Existem quatro cavalos de bronze (cópias, os reais que se encontram dentro da Basílica) na fachada da igreja, em uma varanda descoberta no 2º piso, que são uma das curiosidades da basílica. Eles foram feitos no século IV antes de Cristo, acredita-se que sejam do escultor grego Lísipo, e foram levados nó século II para Roma pelo Imperador Trajano que as instalou no arco que levava seu nome. O Imperador Constantino, no século IV ao instituir Constantinopla (atual Istambul) como capital do Império Romano, enviou os cavalos de bronze para lá para coloca-los no hipódromo da cidade. Durante a Quarta Cruzada, já no século XII, eles foram tomados no saque à cidade no ano de 1204 e foram instalados na fachada da Basilica di San Marco. No século XIII, foram tomados por Napoleão que os levou à Paris, onde os colocou como ornamento no Arco do Triunfo do Carrossel (aquele que fica bem próximo do Museu do Louvre). Somente no início do século XIX, após a derrota de Napoleão, os cavalos foram substituídos por cópias e os originais foram devolvidos à Basilica di San Marco, onde hoje estão expostos, possuindo mais de 2300 anos de existência.

As missas na Basílica di San Marco são gratuitas e não é preciso fazer reserva, mas acreditamos que seja muito difícil conseguir um lugar para fazer suas orações e por isso, caso você pretenda visitar a igreja com este intuito, é recomendável chegar bem cedo por lá. Os horários das missas podem ser consultados aqui (site em inglês ou italiano). Para apenas visitar a igreja, é preciso enfrentar uma fila que normalmente é bem grande, que pode ser evitada basicamente de duas formas: comprando um pacote com tour guiado (o mais barato que encontramos na internet foi este), ou reservando online um horário para sua visita. Na primeira opção, a diferença básica é que a empresa ou o guia irá reservar o horário no seu lugar, então se a sua intenção não for utilizar os serviços de um guia turístico, esta não seria a melhor escolha. A segunda opção depende de um pouco de antecedência, pelo menos de 1 mês, para reservar a data pretendida. Neste site, o valor da reserva (a entrada é gratuita, paga-se apenas pela reserva) é de € 2,50 (preço em 2016). Fique atento ao preço do audioguia (€ 19.50 por pessoa) que é somado ao valor final, você pode mudar sua quantidade para zero ou simplesmente desmarcar sua opção. Existe também esse link, onde o preço da reserva é 2 euros. O serviço de reserva, segundo o site da Basilica, funciona 7 meses por ano, podendo ser agendado para no máximo 8 pessoas.

À frente da Basílica di San Marco está o Campanile di San Marco (Campanário de São Marcos). Galileu usou a torre do Campanário para estudar o céu com seu telescópio, e é lá todos os anos durante o carnaval que ocorre o “Voo do Anjo”, evento que se iniciou no século XVI onde um acrobata descia em uma corda bamba do Campanário até o Palazzo Ducale ou até um barco na baía. A torre tem pouco mais de 98 metros e pode ser visitado, subindo de elevador. O ingresso custa 8 euros (preço de 2014) e é possível ter uma visão de 360º da cidade.    Uma curiosidade sobre Veneza são seus campanários. O de São Marco atual é o segundo, o primeiro desmoronou em 1902. Existem outros que estão tão inclinados quanto a famosa Torre di Pisa, como o Campanile di San Martino, que fica em Burano, San Giorgi dei Greci, no centro de Veneza, e a torre mais inclinada de todas, em pé milagrosamente: Campanile di San Stefano, que fica no sestiere de San Marco. Para ver mais sobre essas curiosas torres (e outras da Itália), entre nesse link.

Ao lado da Basílica di San Marco, praticamente anexo a ela, está o Palazzo Ducale (Palácio Ducal, também conhecido como Palácio dos Doges), que era o local de residência oficial dos Doges de Veneza, chefes de estado da Sereníssima República de Veneza, regime independente de início incerto (século VII ou IX) mas que perdurou até a invasão de Napoleão, no final do século XVIII. O exterior do Palazzo Ducale recebeu no século XIV sua famosa aparência gótica, mesma época em que foi construída a Porta della Carta, um acesso ao Palácio esculpido em mármore e que fica junto à Basílica di San Marco.  Acima da Porta della Carta está a a estátua do Doge Foscari de joelhos ao lado do Leão de São Marco (símbolo da cidade e que pode ser encontrado em vários locais de Veneza). Esse é o acesso principal ao Museu do Palácio Ducale, cujo interior pode ser visitado e conta com muitas pinturas de artistas famosos e esculturas que remetem à história da incrível riqueza e potência econômica que Veneza e sua república já representaram. O Palazzo Ducale, de novembro a 25 de março, abre das 8h30min às 17h30min (com última entrada permitida até às 16h30min). De 26 de março a 31 de outubro, o Palácio funciona 8h30min às 19h (com última entrada às 18h). Para saber mais detalhes sobre os horários de funcionamento, entre nesse link. O ingresso custa 19 euros (preço de 2016) e vale para outras atrações, a maioria delas ali mesmo na Piazza San Marco ou nas redondezas. Para maiores detalhes e reserva antecipada, veja aqui.

Do outro lado da Basílica di San Marco, está a famosa Torre dell’Orologio (Torre do Relógio), construída por Bartolomeo Bon e Mauro Codussi no século XV. O relógio da torre é feito em mármore, esmalte azul e ouro, e marca não apenas as horas do dia, mas também as estações do ano, as fases da lua, os signos do zodíaco e os planetas, os cinco que eram conhecidos na época. Acima do relógio está a estátua do Leão de São Marco, e no topo da torre estão duas estátuas que tocam o sino (o mesmo instalado no ano da inauguração, em 1497) e são conhecidas como “Mouros” pelos venezianos. Abaixo da torre existe um arco que leva a uma das principais ruas da ilha de Veneza, a Merceria Orologio. É possível fazer uma visita guiada à Torre dell’Orologio, veja aqui os horários disponíveis, pois eles variam de acordo com a linguagem. São cinco níveis da torre a que os visitantes terão acesso, além de ver o funcionamento do relógio por dentro e apreciar a vista. O valor do ingresso é 7 euros (preço em 2016) e pode ser reservados neste site. A torre também pode ser aberta para visitação fora dos horários previstos, mas para isso é preciso agendar com no mínimo 5 dias de antecedência e comprar 12 tickets no valor de 30 euros cada.

Estando de costas para a Torre dell’Orologio, olhando em direção ao Grande Canal, é possível ver duas grandes colunas, bem ao lado do Palazzo Ducale. A coluna da esquerda, mais próxima do palácio e com o Leão em seu topo, é a Colonna di San Marco (Coluna de São Marcos). A outra é a Colonna di San Todaro (Coluna de São Teodoro), com a escultura do santo com sua lança, vitorioso sobre um tipo de réptil (alguns acreditam um crocodilo, mas suas guelras e sua face de cão não correspondem a isso, tire suas conclusões aqui) que simbolizaria um dragão derrotado. As duas colunas representam os santos padroeiros da cidade (São Teodoro foi padroeiro antes de São Marcos), e entre elas durante parte do século XVIII foram feitas várias execuções de criminosos condenados. Eram enforcados de frente para a Torre dell’Orologio, e ainda hoje há quem na cidade evite, por superstição, de passar entre as duas colunas.

Saindo das colunas beirando o Grande Canal, passando em frente ao Palazzo Ducale, basta seguir em frente para se encontrar uma pequena ponte que passa sobre o Rio de la Canonica (também conhecido por lá como Rio del Palazzo). Sobre esse mesmo rio, um pouco mais à frente, está uma ponte coberta e fechada que liga o Palazzo Ducale ao edifício Prigioni Nove (também conhecido como Palazzo Delle Prigioni – Palácio dos Prisioneiros) famoso por ter sido construído no século XVI como o primeiro edifício no mundo feito para ser uma prisão. Esta ponte coberta que liga os dois edifícios é a também famosa Ponte dos Suspiros (Ponte dei Sospiri), que segundo a lenda recebeu esse nome por ser a última vez que os presos, suspirantes, veriam o mundo e a paisagem de Veneza. Para ver a Ponte dos Suspiros por dentro, é preciso um ingresso para o Palazzo Ducale, e uma vez dentro dele deve-se seguir para a Sala del Magistrato alle Leggi, onde uma escada de serviço leva até os corredores estreitos que seguem pela ponte. Para mais detalhes, veja nesse link.

Voltando em direção às Colunas de São Teodoro e São Marcos, passando delas e seguindo beirando o Grande Canal, está o Palace Gardens (Giardinetti Reali), uma pequena área verde, com jardins e bancos para se sentar. Para chegar até ele, dependendo do horário, é preciso passar por uma área repleta de pessoas e muitas barracas com souvenires e quadros. Ali já foi no século XIV um simples pátio para gôndolas e até mesmo uma prisão durante a Guerra di Chioggia, e no início do século XIX foi o jardim do Palácio imperial criado por Napoleão (que antes dele era a Procuratie Nuove e é assim que é conhecida nos dias atuais, sendo um dos museus da Piazza San Marco). O acesso ao Palace Gardens fica bem em frente à estação San Marco Giardinetti do Vaporetto, e a entrada é gratuita.

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Nós estávamos na dúvida sobre o famoso passeio de gôndola. Os preços pesquisados na internet não animavam, algo entre 80 e 140 euros para o casal, sendo que os preços variam de acordo com a alta ou baixa temporadas, o horário do passeio e do local de contratação. À noite no verão, por exemplo, a procura tende a ser maior e os preços também, além da possibilidade de ter que dividir a gôndola com mais pessoas. Nós evitamos, de propósito, a área próxima do Palazzo Ducale (na Riva degli Schiavoni) que fica cheia de gondoleiros e de turistas, pois não estávamos dispostos a pagar o preço que tínhamos pesquisado. Andando pelo sestiere de San Marco e San Polo, fomos abordados por um gondoleiro que nos ofereceu um passeio de 30 minutos por 80 euros. Agradecemos mas não aceitamos, e ele baixou para 70, como ainda assim ficamos com cara de que não tínhamos dinheiro, ele baixou para 60 euros e esse foi o preço que pagamos. Nossa dica para o passeio de gôndola é evitar os locais mais badalados e pechinchar. O passeio, apesar de caro, vale a pena. O nosso gondoleiro cantava pouco, e muitos não cantam, não há um padrão. Andamos pelos canais menores e entramos no Grande Canal apenas uma vez, e a sensação não é das melhores pois há muitos barcos grandes que juntamente com o vento remexem a água. Os passeios que saem próximo a Piazza San Marco, além de mais caros, sofrem bastante com o agito das águas. Apesar de ser uma dúvida comum das pessoas, não havia cheiro ruim nos canais. Confira um pouco do nosso passeio de gôndola neste vídeo que fizemos.

Veneza possui ainda a Gallerie della Accademia que é onde fica guardado o famoso Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci, o mesmo não fica exposto para o público, foi exibido em 2013 e segundo essa reportagem será guardado, justamente com outros desenhos, por no mínimo 5 anos, para então talvez ser exposto novamente aos visitantes. Para chegar até a Galeria é possível ir caminhando. Utilizando o Palace Gardens como referência, estando de frente para o mar siga para a direita. Chegando à ponte della Accademia, atravesse-a e mantenha à direita, em poucos metros será possível ver a entrada.

Não há como esgotar Veneza em apenas uma postagem, e recomendamos a quem vá com tempo que visite o conjunto de ilhas de Murano e Burano, e tanto a ilha quanto a região do Lido. Murano é conhecida por ser o grande destino na região para se ver o artesanato feito com a técnica do vidro soprado (já foi o principal produtor de cristais da Europa no século XIII e XIV), mas saiba que é dica comum na internet o fato que nas ruas de Veneza esse artesanato é mais barato para se comprar. Murano está a praticamente 30min dos principais pontos de Veneza, e pode se chegar mesmo do Aeroporto Marco Polo pegando uma balsa. Para ver fotos e saber um pouquinho de Murano, recomendamos esse guia.  Burano, por sua vez, é um pouco mais distante, ficando mais próximo do Aeroporto Marco Polo do que de Veneza em si. É uma bela ilha, e assim como Murano, é conhecida por ser bem mais vazia e tranquila que Veneza, sendo conhecida por suas construções em cores variadas e fortes e pela calmaria de suas ruas. Também é possível chegar lá de Vaporetto. Tanto a Ilha de Lido quanto o trecho de península (acessível por veículos) são os destinos de praia de Veneza. A ilha é um trecho curto de terra, que separa o Mar Adriático da Lagoa de Veneza. É possível chegar até a península de Lido de ônibus (bus Nº 2 e bus Nº3 – Lido di Jisolo, veja mais detalhes aqui), mas na ilha apenas de vaporetto ou outro tipo de embarcação. Nesse guia você ver fotos e ter uma ideia de como é a região de Lido. A dica pra quem tiver disposição para visitar as ilhas no mesmo dia é chegar cedo e comprar o bilhete de 24h do vaporetto.

Veneza é conhecida por ser uma cidade cara, mas não é nada que não seja contornável. Existem restaurantes acessíveis, outros muito caros e alguns inviáveis. Existem inclusive restaurantes nos mesmos moldes dos que servem aperitivos em Milão. O mais em conta, sem dúvida, são as lanchonetes que vende pizzas em fatias, são fatias gigantes e bastante saborosas. Há muitos lugares onde se pode sentar para provar a bebida típica de Veneza, o Spritz, que pode vir acompanhada com milhos torrados, amendoins ou batatas fritas, os mais comuns, mas você pode pedir outros acompanhamentos. Outra coisa que se pode procurar por preços menores são os artesanatos. Existem lojas grandes que vendem esculturas em vidro soprado de Murano com preços irreais, mas por outro lado, pequenas lojas perto do Rialto ou mesmo nas vielas mais escondidas, é possível encontrar peças menores, mais em conta e mais fáceis de levar inteiras para casa. Aproveitamos as promoções que eram comuns nas lojas pequenas, com vários itens menores (brincos, pingentes e etc) onde cada um saía por 1 euro ou menos. As famosas máscaras também são fáceis de encontrar, mas uma pesquisa nas lojas mais afastadas dos grandes pontos turísticos pode valer dezenas de euros economizados.

Veja o roteiro completo da nossa viagem de 22 dias na Europa aqui.

Visitamos em: outubro/2014.

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