Pisa

Chegamos em Pisa de trem, vindo de Milão, em um bate-volta apenas para passar o dia. Pegamos o trem mais barato, comprando com antecedência direto no site da Trenitalia, e cabe aqui uma dica: existem dois tipos de trem à venda, o Intercity e o Regionale. De uma maneira geral (existem exceções) os trens Intercity demoram 1h a mais que os Regionale, e por isso são mais baratos (o Regionale com 1h a menos de viagem estava 52 euros, ida e volta, com uma troca de trem, preço de 2016). Nós pagamos 18 euros por pessoa, ida e volta (mesmo valor em 2016), mas precisamos sair às 06h10min da estação Milano Central, e apesar de estarmos hospedados não muito longe da estação, isso nos obrigou a chamar um taxi na portaria do hotel (o metrô de milão começa a funcionar às 06h). Os horários dos trens na Europa são bastante precisos, e o horário que estará no seu bilhete é o horário que o trem estará fechando as portas e partindo, tenha isso em mente e sempre chegue ao menos 30 minutos antes. Os trens Intercity param mais, e isso pode tornar sua viagem um tanto mais longa e cansativa, nós demoramos 4 horas para chegar em Pisa, mas chegamos suficientemente cedo. O fato é que a cidade nem demandava tanto tempo assim para ser conhecida, ao menos os grandes pontos turísticos.

Pisa faz parte da conhecida e bela região da Toscana, na parte central da Itália, região conhecida por suas paisagens, seus vinhos e sua história romântica e renascentista. No entanto, sabe-se que tudo o que a grande maioria das pessoas procura em Pisa está em um único lugar: o Campo dei Miracoli (também recebe o nome de Piazza dei Miracoli). Lá estão a famosa Torre di Pisa, um dos maiores cartões postais da Itália (também conhecida por lá como Torre Pendente), a Cattedrale di Pisa (Duomo), o il Camposanto, o Battistero di San Giovanni e o Museo Dell’opera del Duomo. Veja o vídeo que nós fizemos.

Para chegar até a Piazza dei Miracoli, depende de onde o seu trem (caso esteja indo em um) vai chegar. Alguns trens param na Estação Pisa San Rossore, e de lá a distância é de mais ou menos 1 km, uns 10 a 15 min andando. Já da Estação Pisa Centrale, onde para a maioria dos trens, sobretudo os que vão direto para Pisa, a distância é em torno de 2 km, entre 20 e 30min de caminhada. Nós preferimos pegar um ônibus, e o ponto é logo em frente à Pisa Centrale e você verá muitas pessoas pegando o mesmo ônibus para ir para o mesmo lugar que você. Para comprar o bilhete, nós fomos em uma lojinha ainda dentro da estação, dessas tipo tabacaria / jornaleiro, custa 1 euro (preço de 2016). Na época em que fomos, eram duas opções de linhas: a LAM Rossa (ou Red, significa vermelha) e a linha 4. Você pode conferir nesse site o itinerário básico dessas linhas e saber como estará escrito no visor dos ônibus. Se você pegar a LAM Rossa, desça no ponto de parada da Via Cameo Carlo Salomone (fica perto do Battistero), se pegar a linha 4, desça no ponto de parada Piazza Arcivescovado, que fica bem ao lado da Piazza del Duomo, em frente à Torre di Pisa. Independente do caminho que você for fazer, nós recomendamos duas coisas: sempre confirme assim que entrar no ônibus se ele realmente passa no local onde você está indo, linhas mudam de itinerário e pessoas na internet podem se confundir; consiga um mapa de Pisa, vai ajudar muito a não se perder por lá e ficar andando mais que o necessário.

Campo dei Miracoli (também conhecido como Piazza dei Miracoli) é o nome dado ao complexo formado pelos principais monumentos de Pisa, e nesse local é possível ver um grande muro, do século XII que cerca parte do Campo e está em boa parte da cidade. Em abril de 2013 foi aberta, em duas oportunidades somente, a visitação à muralha com cerca de 2 km disponíveis para caminhar sobre a cidade. Existe um projeto de reforma em andamento, com o propósito de tornar toda a parte ainda existente da muralha capaz de receber visitantes.

Assim que se entra no complexo, apesar da existência de outras construções históricas, os olhos são automaticamente atraídos para a estranha e pendente Torre di Pisa. Um ícone mundial que salta aos olhos e surpreende pelo tamanho e principalmente pelo quão inclinada ela realmente é. A Torre começou a ser construída na segunda metade do século XII, mas sobre um solo instável de areia e argila, que cedeu com o peso da torre já em seus primeiros andares. Sua função seria a de abrigar o sino da Catedral de Pisa. A obra foi parada durante quase um século, devido às guerras ocorridas na época, e estudiosos creditam a isso o fato da Torre não ter desmoronado de uma só vez, pois o tempo teria feito o solo acomodar. Em uma tentativa de compensar a inclinação, quando as obras foram retomadas os engenheiros da época fizeram com que os andares seguintes tivessem um lado mais alto que o outro, o que resultou na Torre inclinar para o lado oposto, deixando o prédio com um formado curvo. Na década de 1930, o ditador fascista Mussolini prometeu que faria a Torre de Pisa ficar reta novamente, fazendo dessa campanha mais um de seus lemas nacionalistas. Sua intervenção fez com a que a Torre inclinasse ainda mais. Somente na década de 1990, a Torre de Pisa recebeu obras de reforço estrutural que fizeram com que sua inclinação reduzisse em 40cm, tirando-a do risco então iminente de desabamento. Atualmente (2016), em função dos anos de retirada calculada de toneladas de terra sob o monumento, especialista indicam que sua inclinação está estabilizada, estando segura por pelo menos mais 3 séculos.

É possível subir na torre (ingresso custa 18 euros, preço de 2016), mas o tempo da visita é restrito, você escolhe um horário dentro dos disponíveis e todo o grupo deste horário terá 35 minutos para subir, apreciar e descer. São 251 degraus escorregadios e, obviamente, inclinados. Bolsas ou bagagens são deixadas em armários durante a visita. Nós optamos por não subir, em parte pelos relatos de pessoas que não se sentiram bem com a subida inclinada, mas sobretudo por um argumento bem simples: de cima da torre, é o único lugar onde não é possível vê-la e ela é, concordem ou não, a grande atração da Piazza dei Miracoli e da cidade de Pisa.

Bem próximo da Torre de Pisa está o Palazzo dell’Opera della Primaziale Pisana, um edifício que originalmente foi construído para abrigar os trabalhadores da Opera del Duomo. Sua finalidade justifica sua fachada simples, e seu interior é decorado com influências que variaram ao longos dos séculos. Há pouco o que se ver em seu interior, mas a visita é inclusa na maioria dos bilhetes para os outros monumentos, que podem ser comprados em sua bilheteria. É possível ver alguns afrescos antigos, do século XIII ao XV, salas com algumas esculturas e também exposições itinerantes, quando fomos haviam moldes em gesso e também esquemas, diagramas para a construção de esculturas. Em frente à sua entrada principal está uma das muitas representações da Lupa Capitolina espalhadas pela Itália e pelo mundo. Trata-se de uma cópia da escultura original (atualmente nos Museus Capitolinos, em Roma), feita entre os séculos XI e XII, de uma loba alimentando duas crianças, simbolizando a história do fundador de Roma, Rômulo, e seu irmão gêmeo Remo.

Do lado da Opera della Primaziale Pisana está o Camposanto, que é um cemitério antigo, do século XIII. Com sua arquitetura gótica, abriga sarcófagos, urnas e esculturas de origem romana e também etrusca (povo que viveu na região hoje conhecida como Toscana, por volta do século V a.C). Não fizemos a visita interna.

A Cattedrale di Pisa (Duomo di Pisa) tem acesso gratuito com o ingresso de qualquer outro monumento da Piazza dei Miracoli, inclusive da Torre, e com eles você pode visitá-la em qualquer horário. Se você quiser visitar apenas a Catedral, pode ir diretamente em uma das bilheterias de um dos monumentos e retirar um ingresso gratuito para a visita, porém esse ingressos têm horário fixo, você só poderá fazer a visita no horário que estiver no seu ingresso. Quando estivemos lá, a fachada que fica junto à Torre estava em obras, coberta por andaimes e tapumes. A Catedral começou a ser construída no século XI, sendo terminada apenas no século seguinte. Nunca é demais relembrar que a Catedral é um local religioso e sagrado, onde é preciso manter o silêncio, vestir-se e comportar-se de forma respeitosa. Há um aviso no site de que câmeras não são permitidas, assim como guias e acompanhantes não têm permissão para fazer explicações em voz alta. Uma curiosidade: nesta Catedral, no ano de 1944, durante a 2ª Guerra Mundial, soldados da Força Expedicionária Brasileira assistiram à uma missa realizada pelo capelão-chefe da FEB, e cantaram o hino nacional brasileiro em frente à Igreja debaixo de um bombardeio que foi gravado pela BBC e veiculado nas rádios do Brasil.

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Em frente ao Camposanto, está o Battistero di San Giovanni.  Seus grandes destaques são o seu pé direito (distância entre o chão e o teto) bastante alto e sua acústica impressionante. Subindo alguns degraus, é possível chegar a um piso mais elevado e ver seu salão de cima. Quando fomos, uma mulher que cuidava da segurança do local, de tempos em tempos, entoava uma melodia que enchia o ambiente e contribuía para o clima etéreo do monumento.

O Museo dell’opera del Duomo estava fechado para reformas quando estivemos na cidade, mas visitamos o Opera del Duomo Palace, que fica logo ao lado. Tivemos a sorte de visitar a exposição de Igor Mitoraj – “Angeli”, com esculturas em ferro fundido, bronze e gesso, representando anjos em diversas formas e abordagens. Havia inclusive uma magnífica escultura de um anjo caído exposta ao ar livre, na Piazza dei Miracoli. Certamente essa exposição foi um dos momentos mais inspiradores da nossa visita. O ingresso para as exibições temporárias do Opera del Duomo Palace custa 5 euros (preço de 2016). Anexo ao Opera del Duomo Palace fica o Museo delle Sinopie, e o ingresso que compramos incluía sua visita. No Museo delle Sinopie estão os rascunhos de afrescos de vários artistas em grandes telas que eram usadas como referência nas pinturas, e foi lá também que encontramos uma interessante maquete da Piazza dei Miracoli.

Existem várias opções de pacotes disponíveis que podem ser conferidos aqui, com apenas um monumento, dois ou três, por, respectivamente, 5,7 e 8 euros (preço de 2016). Para mais detalhes, dia a dia, dos horário de abertura e encerramento das visitas aos monumentos, entre aqui. Nós não tivemos problemas em comprar nossos ingressos na hora, mas caso você queira garantir seus ingressos antecipadamente, pode compra-los diretamente no site da The Opera della Primaziale Pisana (OPA). Existem opções de link em italiano e inglês.

Nós terminamos nossa visita aos grandes monumentos de Pisa em poucas horas, e acreditamos que metade de um dia seja suficiente para visitar a cidade. Na saída da “Praça dos Milagres” passando pelo Battistero e embaixo da muralha, encontramos algumas barracas vendendo lanches, artigos culinários (temperos, azeites, vinhos e etc) e souvenires. Como estávamos com tempo sobrando e nosso trem só sairia no final da tarde, resolvemos ir andando até a estação Pisa Centrale. Nos perdemos no caminho (e por isso sempre recomendamos que se tenha um mapa da cidade à mão, hoje em dia nós sempre temos, nem que seja uma impressão de um mapa da internet), mas não tivemos dificuldade em pedir informação aos moradores locais. Ainda paramos para tomar um gelato, sem dúvida um dos piores que tomamos na Itália, rs.

Há muitas pessoas que combinam à visita a Pisa com outras cidades próximas aproveitando para conhecer um pouco mais da região da Toscana. Há várias opções que não nos ocorreram na época, como as cidades de Lucca (17 km de Pisa), Vecchiano (9 km) ou Viareggio (23 km) e Livorno (25 km), ambas estas últimas banhadas pelo Mar de Ligúria. Como dissemos, acreditamos que metade de um dia é suficiente para conhecer os principais pontos da cidade de Pisa, e dessa forma, aproveitar o restante do dia para conhecer outras cidades próximas ou mesmo seguir viagem e usar este tempo para outras atividades em seu roteiro.

Veja o roteiro completo da nossa viagem de 22 dias na Europa aqui.

Visitamos em: outubro/2014.

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