Vaticano

A Cidade do Vaticano fica dentro de Roma, e apesar de ter status de País, entrar na Piazza di San Pietro não requer nenhum procedimento especial. Existe um muro que separa o Vaticano de Roma, mas há passagens amplas (sendo a maior e principal na Piazza di San Pietro) que fazem com que mal percebamos essa separação. Todo o Vaticano possui uma estrutura própria de governo e de segurança, ficando a proteção do Papa a cargo da Guarda Suíça (grupo de soldados particulares treinados pelo exército suíço), cujo curioso uniforme colorido é atribuído à Michelangelo. Reservamos nosso último dia inteiro em Roma para visitar o Museu do Vaticano e a Basílica de São Pedro (estação de metrô Otaviano – Linha A), e foi apenas isso que fizemos durante todo o dia.

A Basílica de São Pedro (que possui esse nome devido à Igreja Católica alegar, ainda que com base em estudos controversos, possuir no subsolo abaixo do altar o túmulo de São Pedro, um dos apóstolos de Cristo e o primeiro Papa). A Basílica de São Pedro é uma das quatro basílicas patriarcais, mas não é a sede de um bispo e, ao contrário do que a maioria de nós pensa, não é a “Igreja do Papa” (da qual ele seria o bispo responsável, que é a Basilica di San Giovanni in Laterano). A arquitetura atual da basílica é resultado de uma obra que se iniciou por volta de 1500 com o Papa Júlio II, que inclusive fez um concurso na época para escolher o melhor projeto. A Piazza di San Pietro, em frente à basílica de mesmo nome, possui hoje um obelisco que já pertenceu à antiga construção que existiu no lugar, o Circo de Nero, criado por volta do século 40 d.C. e onde muitos cristão foram torturados, inclusive consta na história que neste lugar São Pedro foi crucificado.

A maior de todas as dicas quando se fala no Museu do Vaticano é, sem dúvida, a compra antecipada dos ingressos. Não dizemos isso apenas pelas duas horas que passamos em pé na fila, mas também por mais da metade desse tempo aturando os indelicados, grosseiros e insistentes cambistas (que começam a abordar os turistas já na distante saída do metrô). Eles tentam decifrar de que país você vem, e quando conseguem usam isso para importuná-lo em sua própria língua. Dizem que a fila vai demorar muito mais do que o verdadeiro, que não haverá tempo hábil para entrar e que você perderá aquele tempo em vão, tudo para tentar lhe vender os ingressos pelo dobro do preço praticado na bilheteria. Chegamos a ver um deles desrespeitando um turista idoso, chamando-o de velho burro, por sorte o senhor não devia entender bem o inglês. Nós já sabíamos das longas filas e tentamos comprar antes, mas nossos cartões não foram aceitos na compra online. Lemos muitos relatos similares na época, e tentamos de várias formas, todas sem sucesso. Provavelmente a primeira hora na fila foi a pior, pois estávamos em pé sob o sol, e justamente quando os cambistas estavam mais agressivos. Quando viramos a esquina da rua, conseguimos ficar na sombra, e dali para frente seguimos sendo menos importunados, além de podermos nos encostar no muro. Quando entramos no setor da bilheteria do Museu do Vaticano, ficamos um pouco mais irritados com o fato dela estar vazia, pois a segurança mantém as pessoas do lado de fora até que um número de visitantes saia e outro grupo possa entrar. Até aí nenhum problema, a questão é que o lugar é gigantesco, e caberia facilmente algumas dezenas de pessoas que poderiam esperar sua vez com muito mais conforto do que em pé no meio da rua.

Uma vez dentro do Museu, existem dois itinerários (“percorso breve” ou “percorso completo”) previstos onde só segue em apenas uma direção, mas é possível parar nas salas ou mesmo em uma área externa (chamada Cortille della Pigna) onde nos sentamos um pouco para descansar. As fotografias eram permitidas na maioria das salas do museu. A verdade é que estávamos cansados demais para aproveitar o máximo do local, então recomendamos que se tenha em mente o tamanho do lugar e, se possível, chegar bem cedo lá. Ao longo do percurso, passamos por várias galerias onde haviam muitas esculturas, além da impressionante decoração de vários cômodos, com tetos e mesmo pisos com ricos detalhes. Este mapa mostra bem o que são os percursos e a grande quantidade de salas que se pode passar durante a visita.  Em uma das salas, encontramos a famosa escultura do Pensador, de Rodin, que nos impressionou pelo reduzido tamanho (chegamos a achar que era uma cópia, pois achávamos que ela era bem maior, rs).

Todo o caminho, acreditamos que propositalmente, passava por todo o museu para então levar à famosa Capela Sistina, principal destino da maioria dos visitantes. Na Capela Sistina, é proibido tirar fotografias e obrigatório fazer silêncio, mas ninguém respeita nenhuma das duas coisas. De tempos em tempos ouvíamos um grito de um senhor pedindo por silêncio. As fotografias também eram reprimidas, com mensagens de “sem fotos, por favor”, além de várias placas no lugar. Como ninguém respeitava nada e nem disfarçavam, tiramos discretamente poucas fotografias. O projeto de arquitetura da Capela foi inspirado nos relatos bíblicos do Templo de Salomão, constantes do Antigo Testamento. O principal atrativo da Capela é sua decoração, seus afrescos (pinturas feitas em gesso ou argamassa frescas, onde todo o conjunto seca junto) pintados por vários artistas renascentistas, como Michelangelo, Rafael e Botticelli, dentre outros. O teto foi pintado por Michelangelo, durante quatro anos usando um andaime, e é composto por várias pinturas que formam um imenso mosaico. A famosa pintura A Criação de Adão está no centro da Capela. É uma visita importante, imperdível, sem dúvida. Infelizmente a quantidade de pessoas aglomeradas e o desobediência por regras mínimas de respeito em um ambiente religioso comprometem um pouco o clima de apreciação. Seja como for, este diagrama pode ajudar bastante na hora de observar as cenas pintadas nos afrescos de Michelangelo (que os fez brilhantemente, ainda que se dissesse que ele acreditava ser mais escultor do que pintor). Ainda hoje a Capela tem um papel importante na Igreja Católica, pois é lá onde acontece o Conclave (cerimônia onde se escolhe um novo Papa). O Museu do Vaticano fica aberto para entrada das 9h às 16h, e fecha às 18h, de segunda-feira a sábado. Fica fechado aos domingos, exceto no último domingo de cada mês, quando a entrada é gratuita e o funcionamento é das 9h às 12h30min para entrada e fechamento às 14h. O valor da entrada é 16 euros (preço de 2016). Para fazer reservas e saber detalhes sobre outros dias em que o museu fica fechado, entrem nesse site.

Depois de sair do Museu do Vaticano, fomos visitar o interior da Basílica de São Pedro, e encontramos o acesso sem filas (situação bem diferente de quando passamos por lá na parte da manhã). O horário de funcionamento da Basílica é: de outubro a março, das 7h às 18h30min e de abril a setembro das 7h às 19h. Existem missas em Italiano e em Latim, e os horários podem ser conferidos no site. A entrada na Basílica de São Pedro é gratuita (é preciso apenas passar seus pertences por um raio X antes), porém a visita ao alto da cúpula é paga, e pode ser feita através de um elevador ou a pé.  São 231 degraus até o primeiro nível (parte que pode ser evitada com o elevador) e mais 320 degraus até o alto da cúpula, totalizando 551 degraus pra quem não quiser pagar pelo elevador (subida pelas escadas a 5 euros e subida com o elevador a 7 euros, preços de 2014). Há relatos (um deles pode ser conferido aqui) do último trecho da escada ser apertado e um tanto desconfortável, além de não ter a opção de desistir ou descansar no meio (devido ao espaço disponível), então vale ter isso em mente quando planejar sua visita, nós não chegamos a subir. Para se ter uma ideia da vista de lá, existe no site do Estado do Vaticano links de webcans fixas, com imagens em tempo real de vistas da Cúpula de Basílica de São Pedro, da Piazza de San Pietro, dentre outras. No site da Prefeitura do Vaticano ainda existe a possibilidade de se agendar o ingresso nas Audiências Gerais, gratuitas e realizadas sempre às quartas-feiras, com a presença do Papa, mas é preciso muita antecedência para se garantir uma reserva.

Um passeio diferenciado para quem visita o Vaticano é o Scavi Tour, que é um tour pelas escavações no subsolo da Basílica e da Praça de São Pedro, onde é possível ver o túmulo de São Pedro e também ruínas das antigas necrópoles de Roma (espécie de jazigo ou mausoléu da época). Para reservar esse tour é preciso agendar com muita antecedência, entrando em contato com o Escritório de Escavações do Vaticano pelos e-mails uff.scavi@fabricsp.va  e scavi@fsp.va. No email é preciso fornecer os dados das pessoas que pretendem fazer, escolher o idioma preferencial e principalmente dizer quais dias estão disponíveis para aquelas pessoas, quanto mais dias, maiores as chances (o escritório pode marcar qualquer horário nos dias informados, fique atento a isso se tiver outro compromisso agendado). Nós tentamos em duas oportunidades diferentes, com mais ou menos um mês de antecedência, e não conseguimos vaga. Os grupos não podem ser maiores que 12 pessoas, e são guiados durante toda a permanência das escavações, que é de uma hora e meia aproximadamente, e não é permitido tirar fotos. O valor do ingresso para o tour é 12 euros (preço de 2016). Existe um aviso, no próprio site do Scavi dizendo que “as condições do ambiente no subsolo são diferentes, com possível aumento de temperatura e umidade. Pessoas que sofram de específicos e sérios problemas físicos que possam ser afetados por essas condições, incluindo claustrofobia, não devem visitar.” Há também uma restrição (não aberta a exceções) de que apenas pessoas maiores de 15 anos podem fazer a visita. O Scavi Tour termina dentro da Basílica de São Pedro, então quem for fazer este tour pode se programar pra visitar a Basílica nesta mesma oportunidade, e escapar das filas. No site do Escritório de Escavações é possível ter mais detalhes sobre o tour, mas as informações estão em inglês. Existe também um link para fazer uma visita virtual. Separamos aqui um relato de uma visita, e no final há a descrição exata de onde fica entrada para o Scavi Tour, o que consideramos muito importante (quem já se perdeu procurando algum lugar durante uma viagem vai concordar com a gente, rs).

Veja o roteiro completo da nossa viagem de 22 dias na Europa aqui.

Visitamos em: outubro/2014.

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