Roma II

Continuando a postagem sobre Roma

Próximo ao Pantheon está a Piazza Navona, uma espécie de praça em formato de “U”, que ficou ainda mais conhecida após aparecer no livro de Dan Brown, “Anjos e Demônios”, e também no filme de mesmo nome. Existem roteiros específicos, fáceis de se encontrar pela internet, para os fãs do livro/filme, assim como também existe a possibilidade de se contratar tour’s guiados por todas as locações citadas na história. Nesta praça está a famosa Fontana dei Quattro Fiumi (Fonte dos Quatro Rios), que foi projetada por Bernini e representa os quatro grandes rios continentais (considerados de acordo com o conhecimento geográfico da época): Ganges, Nilo, Rio da Prata e Danúbio. O obelisco que está no centro da Fontana dei Quattro Fiumi é o Obelisco Agonalis, que tem o nome em referência à Igreja Sant’Agnese in Agone, que fica praticamente em frente à fonte. Ainda na Piazza Navona existe outras duas fonte, a Fontana del Moro e a Fontana del Nettuno, e próximo da praça fica o Consulado-Geral do Brasil em Roma.

O Castel Sant’Angelo, outro ponto turístico citado no livro de Dan Brown, fica próximo à Piazza San Pietro, no Vaticano.  Não chegamos a entrar nele durante nossa visita, mas é possível vê-lo ao caminhar da Piazza Navona e cruzar o Fiume Tevere (Rio Tibre) e ver, mesmo de fora, sua beleza e magnitude. O Castelo fica próximo à Piazza Cavour, mas atenção: não tem nada a ver com a estação Cavour (Linha B). Para visita-lo, é possível descer nas estações Otaviano ou Lepanto, ambas da Linha A.

Roma_ft27_Castel Sant'Angelo

Estávamos hospedados a uma estação de metrô San Giovanni (Linha A), estação da Basilica di San Giovanni in Laterano (ou Basílica de São João de Latrão) e aproveitamos para conhecer esta que é a verdadeira igreja do Papa (da qual ele é o bispo), e por sua importância (maior ainda que da Basílica de São Pedro) recebe o título único de Arquibasílica e é considerada a mãe de todas as igrejas católicas. Assim que sair do metrô, já é possível avistar um trecho da Muralha Aureliana (que chegou a ter 19 km de extensão e protegia as sete colinas de Roma), com um belo portal ao centro, a chamada Porta San Giovanni. A Basilica di San Giovanni in Laterano fica logo a frente, com fachada branca e várias estátuas em sua cobertura. A entrada, como das demais igrejas católicas na cidade, é gratuita, bastando ter atenção ao horários das missas e respeito pelos fiéis, mantendo silêncio e vestindo-se de acordo com o ambiente. Neste site é possível ver os horários das Basílicas Papais. Atenção: não é permito visitar as igrejas em Roma de saias curtas, shorts ou blusas decotadas e camisetas. Pode até ser que você consiga entrar por alguma distração da segurança, mas não é o correto e você pode ser convidado a se retirar, então tenha bom senso e evite este constrangimento.

Do lado oposto à Arquibasílica di San Giovanni in Laterano, é possível ver uma cúpula pela metade, ao ar livre, que é uma relíquia do antigo palácio, conhecido como Triclinio Leoniano. Ao lado desta construção, está o Santuario della Scala Santa, onde foi realocada a escada que Jesus Cristo teria subido para ser interrogado por Pôncio Pilatos. Ela foi trazida de Jerusalém pela mãe do Imperador Constantino. Os degraus da Escada Santa, cujo santuário é aberto à visitação e com entrada gratuita, só podem ser subidos de joelhos.

À frente do Santuario della Scala Santa, andando alguns passos, está a Piazza di San Giovanni in Laterano, onde se encontra o Obelisco Lateranense, um dos muitos obeliscos egípcios de Roma, sendo esse o mais alto da cidade.

A Piazza di Spagna (estação de metrô Spagna – Linha A) é uma das praças mais famosas de Roma e talvez por isso tenha sido um dos locais mais cheios em que estivemos. Centenas de pessoas se espremiam nas ruas que chegavam à praça e principalmente na escadaria que segue dela até a Igreja de Santissima Trinità dei Monti. No centro da praça está mais uma fonte esculpida por Bernini, a Fontana della Barcaccia, sendo que nesta o jovem Gian Lorenzo auxiliou seu pai, Pietro, na construção. A quantidade de pessoas, e o calor, nos fizeram ficar muito pouco tempo nesta praça.

Roma_ft32_Fontana della Barcaccia

Cruzando o metrô Spagna, chega-se do outro lado ao parque conhecido como Villa Borghese. Trata-se de um grande espaço verde, onde os romanos vão para se exercitar ou se divertir ao ar livre. A famosa Galleria Borghese fica nesta região, mas muito distante da estação do metrô, fato que, já no final de um dia de muitas caminhadas, nos fez desistir de andar até ela. Recomendamos separar ao menos metade de um dia para uma visita rápida ao parque e à Galleria. Para informações mais detalhadas sobre a Villa Borghese, inclusive como chegar de ônibus e Tram, recomendamos esse link.

A Piazza del Popolo (estação de metrô Flaminio – linha A) fica perto da Piazza di Spagna, e a quase a mesma distância do Castelo Santo Ângelo, podendo-se unir as três visitas e até mesmo combinar com a Villa Borghese, que também é acessível dali. Na Piazza del Popolo (Praça do Povo) é possível apreciar o pomposo obelisco (também egípcio, ficava no Circus Maximus juntamente com os obeliscos de Montecitório e o Laterano, foi encontrado derrubado e partido, e depois de restaurado foi realocado na Piazza del Popolo) que fica no centro da praça e seus quatro leões de mármores que jorram água de suas bocas. A praça também é toda rodeada por estátuas e algumas esculturas que lembram pequenas esfinges. Existem duas fontes, uma em cada lateral, uma retratando o deus Netuno e outra a deusa Roma. Na entrada da Piazza existe uma imponente estrutura com uma imensa porta de metal, que já foi a Porta Flamínia, mas atualmente é chamada de Porta del Popolo, e dois vãos menores livres construídos posteriormente por conta do tráfego que aumentou.  Junto a esta estrutura está a Igreja de Santa Maria del Popolo (que teria sido, segundo a história, construída sobre o local onde Nero morreu e foi sepultado). Dentro dela é possível encontrar vários monumentos, algumas obras de Bernini (que é o autor de sua fachada, e o macabro Túmulo de Giovanni Battista Gisleni, que foi autor de seu próprio monumento fúnebre, um esqueleto encapuzado que observa a igreja por grades de uma janela. Ao lado da Igreja fica uma pequena edificação que estava com uma exposição do Museo Leonardo Da Vinci. Do lado oposto da Praça é possível ver duas construções idênticas, que são duas igrejas construídas simétricas a pedido do Papa Alexander VII: Igreja Santa Maria in Montesanto e Igreja Santa Maria dei Miracoli. Saindo pela Porta del Popolo, de costas para a Piazza, à direita você poderá ver duas grandes estruturas com pilares cilíndricos e uma rua entre eles, e esta é uma das entradas da Villa Borghese. Do lado esquerdo destas estruturas, indo para a estação Flaminio, ficam várias barracas vendendo roupas, chapéus e sapatos. Por ali também, perto da entrada do metrô, encontramos um pequeno supermercado, pequeno mesmo, mas que serviu para comprarmos alguns itens básicos de sobrevivência.

O Circus Maximus (estação Circo Massimo – Linha B) tinha tudo para ser uma das grandes atrações de Roma, mas não é. O lugar tem uma história rica, mas atualmente possui uma pequena parte com algumas ruínas, em obras e sem acesso ao público quando fomos, e o restante (a maior parte) é usado pelos romanos para caminharem ou passearem com seus cachorros. O local, que já foi uma gigantesca arena (maior e mais antiga que o Coliseu) usada na Roma Antiga para jogos (os Ludi Romani) e várias formas de entretenimento, hoje decepciona como um imenso espaço perdido ao ar livre. Seja como for, é possível encontrar relatos de que o espaço já coube mais de 350 mil pessoas em seu auge.

Próximo do Circus Maximus (na extremidade oposta às ruínas) está a Basílica Santa Maria in Cosmedin, uma igreja de influência grega. Trata-se de uma igreja de arquitetura simples, dona de uma torre bastante alta, que não à toa pode ser vista de praticamente todos os outros pontos turísticos. Seu maior atrativo é sem dúvida a La Bocca della Verità, uma grande máscara de mármore que fica logo na entrada da igreja, em uma área retangular e coberta. O rosto na máscara já teve várias interpretações (fauno, tritão, oráculo e etc), assim como sua origem possui pelo menos duas versões: como ela tendo sido parte de uma fonte de Roma, ou uma tampa de bueiro. O artefato é cercado por muitas lendas, mas a principal e mais conhecida é a de que ela seria usada para desmascarar cônjuges infiéis (sobretudo mulheres, na idade média), uma vez que a máscara supostamente arrancaria a mão do(a) infiel que a colocasse em sua boca. É preciso enfrentar uma grande fila para tirar foto com a Bocca, é há placas que limitam a uma foto por pessoa (por mais que poucos respeitem). O horário de visita é das 09h30min às 17h, no inverno, e das 09h30min às 18h no verão. Existem placas alertando que quem estiver na fila após estes horários não será atendido, independente do tempo perdido ou da proximidade, portanto se programe, porque a fila é bem grande. A visita e a fotografia são gratuitas, mas há sugestões para doações, e elas eram feitas principalmente se as pessoas gastavam mais tempo ou pediam ao senhor que tomava conta para tirar suas fotos. Após a fotografia, a saída passa pela parte interna da igreja, que curiosamente impressiona pela simplicidade. Na praça em frente à igreja existe uma área chamada Foro Boário, onde estão dois templos de mais de dois mil anos de idade: o Templo de Hercules Olivarius, ou Hércules Victor (cilíndrico) e Templo de Portunus (retangular).

Abrindo um breve parêntese, podemos dizer que uma das coisas mais incríveis que conhecemos naquela área foi a Gelateria ai Cerchi, que fica bem pertinho da Basílica Santa Maria in Cosmedin, onde está a La Bocca della Verità (e existe uma miniatura da boca na Gelateria). Nós compreendemos quando vemos relatos na internet de pessoas que se decepcionaram com os gelatos na Itália, pois realmente todos os outros que tomamos em nossa passagem pelo país eram apenas bons sorvetes, alguns nem isso. Essa gelateria nos fez realmente entender a razão da fama dos gelatos, e acreditamos que vale muito a pena conferir os de lá antes de formar sua opinião definitiva sobre o assunto.

No caminho entre a Basílica Santa Maria in Cosmedin (onde está a Bocca della Verità) e o Monumento Vittoriano, seguindo pela Via del Teatro di Marcello, está um dos acessos à Piazza del Campidoglio (no ponto mais alto da Colina do Capitólio), onde se encontram os Museus Capitolinos. O acervo dos museus vai desde esculturas de várias fases do Império Romano a ruínas descobertas em escavações, com mais de 2200 anos de idade. É possível ainda encontrar, na Pinacoteca, pinturas de artistas renomados como Caravaggio e Van Dyck. O Capitolini Card, que dá acesso às principais atrações da Piazza del Campidoglio custa € 15 (preço de 2016), para maiores detalhes entre nesse site (5 idiomas disponíveis no canto superior esquerda). Os Museus Capitolinos abrem diariamente das 9h30min às 19h30min (com última entrada até 1h antes do horário de fechamento), e estão fechados nos feriados de 1º de janeiro, 1º de maio e 25 e 31 de dezembro, detalhes aqui.

Após nossa visita ao Circus e à Bocca, resolvemos ir até a Terme di Caracalla, que é uma das maiores e mais bem conservadas ruínas de estruturais termais da Roma Antiga, tendo recebido vários eventos artísticos, inclusive o primeiro concerto dos “Três Tenores”. Nós, assim como alguns outros turistas, caminhamos a longa distância do metrô Circo Massimo (ela fica no lado oposto ao Circus) em vão. O horário de funcionamento das ruínas das grandes termas imperiais é um tanto complexo. Ela abre às 9h, do último domingo de outubro a 15 de fevereiro a última entrada é às 15h30min, com saída às 16h30min; de 16 de fevereiro até 15 de março, a última entrada é às 16h e saída às 17h; de 16 de março até o último sábado de março, a última entrada é 16h30min e saída às 17h30min; do último domingo de março até 31 de agosto, a última entrada às 18h30min e saída às 19h30min; em setembro a última entrada até 18h e saída às 19h; de 1 de outubro até o último sábado de outubro, última entrada às 17h30min e saída às 18h30min.

Roma é uma cidade única (chamada por muitos de cidade eterna). Cada esquina, cada rua, cada canto pode revelar cenários e cenas incríveis. Caminhe e se deixe seduzir também pelas partes de Roma que não estão em nenhum roteiro turístico.

Informações úteis:

Consulado Geral do Brasil em Roma: Piazza di Pasquino, 8

Tel.: +39 06 688 9661, em caso de comprovada urgência: +39 333 1184 682

Chamadas de Emergência: 113 ou 118 – Polícia. 112 – Bombeiros. 115 – Ambulância.

 

Separamos um dia da nossa estadia em Roma para conhecer o Vaticano.

De Roma, seguimos viagem para Milão.

Veja o roteiro completo da nossa viagem de 22 dias na Europa aqui.

Visitamos em: outubro/2014.

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2 thoughts on “Roma II

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