Roma I

Chegamos ao Aeroporto Fiumicino à noite, vindo de Zurique. Para ir do aeroporto ao centro da cidade nós optamos pelo trem, e existem duas opções: o City Train FM1 (8 euros, preço de 2016) e o Leonardo Express (mais rápido que o City, e também mais caro, 14 euros, preço de 2016). Como chegamos bem tarde só tivemos a opção do Leonardo Express. Descemos na estação Roma Termini, onde pudemos pegar o metrô até onde iríamos nos hospedar.

O metrô de Roma é um pouco limitado e só possui duas linhas (a linha C, que seria a terceira, ainda estava em obras para implantação). Existe ainda a opção de um bonde, que vimos passar em alguns lugares mas não pegamos, e dos ônibus. Existe a opção de um bilhete que serve para o dia inteiro (atenção, não vale 24h, vale até às 0h do dia em que foi comprado), mas ele só será vantajoso se você usá-lo por um grande número de vezes, é bom fazer as contas antes de compra-lo e ter em mente que a visita aos monumentos principais costuma levar muito tempo. Basicamente, recomendados que se vá ciente de que Roma é uma cidade para andar a pé. O metrô irá cumprir sua missão de deixar próximo dos principais pontos, mas para os demais será necessário andar mesmo. O que não é propriamente uma coisa ruim, pois a cidade é toda histórica, com muitas ruínas ou construções antigas, muitos artistas de rua e muitas opções de lugares para comer. É importante que se tenha em mãos um bom mapa da cidade, daqueles que aparecem os pontos turísticos, para guiar suas caminhadas e, se possível, até planejá-las na noite anterior enquanto estiver descansando, isso ajuda muito a otimizar o tempo.

Mapa do metrô de Roma

Mapa turístico de Roma

Tenha atenção com a época do ano que for visitar a cidade e consulte a previsão do tempo, pois costuma fazer bastante calor em alguns períodos do ano e nesse caso é bom se planejar para levar roupas leves e beber bastante líquido. Em Roma toda a água encanada é potável. Desconfiamos quando o rapaz da nossa hospedagem nos disse que poderíamos beber até da torneira do banheiro, mas depois que vimos várias pessoas enchendo suas garrafas pelas fontes de água potável (conhecidas por lá como “Nasone”), resolvemos provar e sobrevivemos para contar que sim, é verdade, toda a água que flui por Roma é potável, inclusive existem mapas com as localizações das muitas Nasoni espalhadas pela cidade.

NOTA DO ALEXANDER: Mesmo vindo de uma cidade quente como é o Rio de Janeiro, tive um mal estar na visita ao Coliseu por conta do calor. Nada grave e me recuperei rápido, mas vale muito a dica de ficar atento às temperaturas de lá.

Em nosso primeiro dia em Roma, nosso primeiro destino já era certo: o Coliseu. Descendo na estação de metrô de mesmo nome (Colosseo – Linha B), é quase impossível não se espantar com a imponência desse monumento, já na saída das escadas da estação. A entrada dele pode ser comprada antecipada pela internet nesse site. Pode também comprar o Roma Pass que é um tipo de cartão que dá acesso diferenciado a museus e pontos turísticos de Roma, e também acesso direto aos meios de transporte da cidade, estando disponível para 48 horas ou para 3 dias (28 e 36 euros, respectivamente – preços de janeiro/2016). Fique atento ao fato do Roma Pass não incluir os transportes especiais da cidade, como trens expressos ou o Leonardo Express. Nós deixamos pra comprar o ingresso para o Coliseu na hora, e não acreditamos nos cambistas (que são um grande inconveniente em Roma, esteja ciente e preparado para isso) que gritavam que a fila iria demorar mais de duas horas. E não demorou: entramos com menos de quarenta minutos. A entrada pelo Roma Pass também possuía fila, ainda que estivesse realmente um pouco menor. Existe ainda outra forma de não ficar na fila, conforme o Roma pra Você ensina, que é comprar seu ingresso na bilheteria do Fórum Romano ou do Palatino, que estão sempre mais vazias, e os bilhetes valem para o dia em que você compra e o dia seguinte (mas cada atração só pode ser visitada uma vez). É possível também visitar o Coliseu por último, depois de um ou dos dois outros monumentos, e talvez ainda pegá-lo um pouco menos cheio (vazio nunca, rs). No primeiro domingo de cada mês, a visita ao Coliseu é gratuita.

A parte interna do Coliseu é muito interessante, mas se prepare para dividi-la com muitas, muitas pessoas. Nos corredores de seu interior há uma exposição permanente com a história de Coliseu e da cidade. Não deixe de conferir a vista das “janelas”, para o Arco di Constantino e o Fórum Romano. As “arquibancadas” possuem três níveis, e o terceiro nível só pode ser visitado por quem compra a visita guiada. Além dessa opção “extra”, existem visitas mais exclusivas, com datas específicas ao longo do ano, como a visita aos subterrâneos e a visita sensorial, com som e luzes durante a noite, normalmente na primavera e no verão. Para mais detalhes sobre essas visitas especiais, recomendamos esse link. Mesmo sem esses “extras”, achamos muito válida a visita interna, apesar do calor que estava no dia, dos cambistas chatos e da quantidade de pessoas disputando espaço nos principais pontos e mirantes. No entanto, se você não puder visitá-lo por dentro, por falta de tempo ou de dinheiro, recomendamos muito que você até lá mesmo assim. Mesmo se estiver de passagem pela cidade e tiver apenas algumas horas entre seus voos ou trens. A primeira vez que vimos o Coliseu é uma memória que guardamos com muito carinho. Inclusive chegamos a voltar durante a noite para ver a iluminação.

Próximo ao Coliseu fica o Arco di Constantino, de onde é possível ver tanto o Coliseu quanto o Fórum Romano, que fica logo a sua frente.

O ingresso para o Fórum Romano é comprado junto com o Coliseu e o Palatino. O Palatino é uma colina, onde de um lado fica o Circus Máximo (separado por uma rua) e de outro fica o Fórum Romano. Existem muitas ruínas no Monte Palatino, inclusive de seu antigos palácios imperiais, próximos ao Circus. O Fórum Romano faz parte dessa estrutura gigantesca, uma espécie de parque com várias ruínas dentro, ou um museu a céu aberto. A caminhada é cansativa, mas existem muitos lugares para se sentar, descansar e apreciar a vista. Inclusive há várias fotos que só são possíveis dali, onde o ângulo é bastante favorável para a vista dos monumentos próximos, principalmente do Coliseu. Dentro do Palatino estão ainda o Arco di Tito (cuja arquitetura inspirou o Arco do Triunfo em Paris), o Arco di Settimio Severo e muitas outras estruturas menores, sendo necessário muito tempo e disposição para conhecer tudo detalhadamente.

Junto ao Palatino, seguindo por dentro dele ou pela rua onde está a estação do metrô (Coloseo), está o Foro di Traiano, que são pequenas ruínas no lado oposto ao Fórum Romano, onde costumam ficar artistas de rua e muitos turistas. Por ali existe também o Monumento Vittoriano (também conhecido como Monumento Nazionale a Vittorio Emanuele II) que fica entre a Piazza Venezia, a Piazza San Marco e o Fórum. Este monumento foi alvo de polêmicas por que foi construído, no início do século XX, sobre uma área que continha ruínas medievais, além de ser considerado destoante dos prédios ao redor por sua cor e formato. O monumento Vittoriano possui desde 2007 um elevador panorâmico que leva ao seu terraço, de onde é possível ter uma vista da cidade. A subida é paga e fica uma grande fila para acessá-lo, não chegamos a subir.

Perto do Vittoriano, na Piazza Venezia, fica a Colonna Traiana (Coluna de Trajano), que foi erguida em homenagem à vitória dos romanos sobre o povo Dácio, no século II d.C. Em seu topo já existiu uma estátua do próprio Trajano, mas que desde o século XVI possui uma estátua de São Pedro.

Para ir até a Fontana di Trevi, é preciso descer na estação Barberini (Linha A), que fica na Piazza Barberini. Já na saída da estação é possível ver uma fonte, que é a Fontana del Tritone (mostra o personagem da mitologia grega Tritão), muito bela, sobretudo à noite quando fica iluminada, e foi uma das primeiras fontes feitas por Gian Lorenzo Bernini. Para chegar até a Fontana di Trevi encontramos algumas placas e pinturas nas paredes de prédios indicando o caminho. Infelizmente, a mais famosa e maior fonte barroca de Roma estava em obras de restauração quando estivemos lá, e não pudemos vê-la da forma como imaginávamos. Muitas pessoas, curiosamente, continuavam jogando suas moedas por cima dos tapumes, contrariando os cartazes que pediam para que não fizessem isso. Há uma lenda que se a pessoa joga uma moeda ela retornará a Roma, se jogar duas encontrará seu amor em Roma e se jogar três irá se casar em Roma. Talvez essa seja a justificativa  para que as moedas continuassem sendo jogadas mesmo com a fonte em obras. As moedas são recolhidas e doadas para caridade. Atualmente a Fontana di Trevi encontra-se em funcionamento, foi inaugurada em novembro de 2015.

Saindo da Fontana, passamos pela Piazza Colonna, onde está a Colonna di Marco Aurelio (Coluna Antonina) e depois pela Piazza di Montecitorio, onde está Obelisco di Montecitorio, tudo isso caminhando em direção ao Pantheon.

O Pantheon é um Templo Romano, construído há mais de dois mil anos e reconstruído por volta do ano 120. É uma das estruturas romanas antigas mais conservadas, e sua cúpula (a maior do mundo antigo e ainda hoje vista como uma relíquia da engenharia humana) impressiona. O edifício foi criado como politeísta (dedicado a vários deuses), mas já teve várias funções ao longo da história, sendo hoje uma igreja católica, com missas aos domingos e dias santos (o que pode impedir a sua entrada, esteja atento a isso e consulte os horários caso vá num desses dias). O acesso ao monumento é gratuito.

Continua

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *