Lucerna e Zurique

Chegamos em Lucerna de trem, vindo de Paris. Não conseguimos comprar a passagem diretamente para Lucerna, pois os trens na Suíça (assim como na Holanda) precisam de um endereço para entrega dos tickets impressos. Mesmo o site da RailEurope (que já descobrimos que não tem preços tão bons quanto as próprias empresas dos países, sendo bem mais barato comprar diretamente na companhia de trem de cada lugar) não disponibilizava a compra online com impressão do ticket em casa. Na época, nosso planejamento de viagem era chegar lá com as entradas e saídas dos países compradas, pensando no processo de imigração. O fato é que hoje sabemos que isso não é necessário, pois uma vez dentro da União Europeia, o processo de imigração não existe. Entramos na Suíça por Lausanne, que foi o único lugar que conseguimos comprar a tal passagem antecipadamente.  Estávamos preocupados com a fama que o país possui em relação à imigração (assim como o Reino Unido), mas já saímos do trem diretamente na estação com acesso à cidade, assim como aconteceu em Paris. Nosso plano era andar um pouco em Lausanne para conhecer, mas o cansaço e o horário (o percurso até Lucerna, onde iríamos nos hospedar, ainda levaria pouco mais de duas horas) nos desanimaram.

Chegamos na cidade de noite, e fomos para a rodoviária em busca do ônibus (é possível pesquisar com bastante precisão os trajetos pelo google maps) que nos levaria até o hotel. Alguns ônibus na cidade não aceitam pagamento diretamente para o motorista, e tivemos a sorte de encontrar um rapaz muito prestativo (de certa forma, todos que encontramos por lá eram) que comprou nossa passagem em outro ônibus e pudemos embarcar sem precisara retornar até a estação de trem. A forma correta de se locomover de ônibus na cidade é comprar antecipadamente o bilhete em máquinas disponíveis, havia uma no ponto de parada próximo ao hotel em que nos hospedamos, e outra, segundo o rapaz, na estação de trem. Importante: as máquinas aceitam apenas moedas! Existem passes que incluem passagens de trens, barcos e ônibus, disponíveis no site da companhia ferroviária suíça (SBB). Vale pesquisar e comparar preços para saber se valem a pena, nós não os utilizamos.

A Suíça não faz parte da zona do euro, a moeda lá é o Franco Suíço, e eles não aceitam libras ou euros. Nós efetuamos a troca do dinheiro diretamente em Lausanne, uma pequena quantia que seria aliada ao uso do cartão de crédito para gastos maiores. A estratégia funcionou bem, e conseguimos sair do país sem levar conosco Francos desnecessários. A Suíça é quase uma Babel de tantas línguas oficiais que possui (alemão, francês, italiano, romanche), mas conseguimos nos virar bem por lá apenas com o inglês.

Em Lucerna, os grandes atrativos já são a própria cidade, seu clima aconchegante e a atmosfera mágica. Próximo da estação de trem está o grande cartão postal da cidade, a Chapel Bridge (Kapellbrücke), que sofreu um incêndio em 1993, mas foi restaurada, mantendo sua estrutura e suas pinturas. É possível chegar até ela caminhando à beira do Lago Lucerna. O lago é lindo, de águas cristalinas com muitos cisnes e patos.

É possível explorar toda a cidade caminhando. Próximo da ponte se encontra a Igreja Jesuíta de Lucerna, nas margens do Rio Reuss (que deságua no Lago). Ela fica do mesmo lado da estação de trem (Bahnhof Luzern), a uns 500 metros desta. Existe ainda uma outra ponte, a Spreuer Bridge (Spreuerbrücke), que fica próxima a uma parte represada do rio.

Do lado oposto à Igreja Jesuíta encontra-se o centro histórico de Lucerna. Algumas construções medievais, mas também muitas lojas e restaurantes, estes principalmente às margens do lago.

Nós seguimos caminhando pelo centro histórico e depois fomos para o Lion Monument (Löwendenkmal). É uma boa distância, da ponte Spreuerbrücke até lá dá pouco mais de 1 km. Recomendamos que se tenha um mapa da cidade para encontrá-lo com facilidade, mas mesmo que não tenha, é possível localizá-lo pelo google maps. Trata-se de uma impactante escultura feita diretamente na rocha, em homenagem aos soltados suíços que morreram na Revolução Francesa. O nível de detalhe, a expressão do leão, a beleza e delicadeza do local onde a escultura está situada tornam sua visita uma das mais concorridas da cidade. Achamos que valeu muito a pena.

Voltando pelo centro histórico, é possível encontrar parte da antiga muralha (Museggmauer) que protegia a cidade, e suas torres. De cima dela, é possível ter uma vista do alto da cidade, do Rio Reuss e do Lago Lucerna. Nós acabamos não subindo porque estávamos muito cansados da caminhada até o Löwendenkmal e não tínhamos ideia de que a vista lá de cima era tão bonita. Mas para quem quiser informações detalhadas da muralha, recomendamos este site.

Quando estivemos em Lucerna, havia um parque de diversões funcionando, bem próximo à estação de trem. Não sabemos se o parque é permanente ou se fica apenas em algumas épocas do ano, mas o fato é que passamos todas as noites por lá, onde comemos e pudemos observar a bela noite da cidade (os demais lugares que passamos, apesar de seguros quando caminhamos, ficavam vazios à noite).

Lucerna_ft 13_Parque

Em nosso segundo dia em Lucerna, optamos por conhecer o Museu do Transporte (Swiss Transport Museum). Fomos de barco até lá, embarcando em um pequeno porto próximo à estação de trem. Nós falamos na bilheteria que queríamos ir até o Museu (que foi a primeira parada) e o atendente nos vendeu o bilhete específico para esse trecho, ida e volta (não tem como comprar a volta do barco lá). É possível comprar outros trechos e conhecer algumas localidades que beiram o Lago, próximas dali. O trecho no barco, apesar de curto, valeu pelas paisagens e pela experiência diferenciada, mas é possível chegar ao museu por outros meios de transporte (fica a quase 3 km da estação de trem). Ao descer na estação do barco, confira os horários do barco de volta, só olhamos na volta e tivemos que esperar. Ao menos aproveitamos para dar uma volta próximo dali, já que o local é bem bonito.

O museu custa 30 Francos Suíços por adulto (preço em 2015) e pode ser comprado online. O lugar é bem interessante e, sobretudo, bastante interativo. Possui uma estrutura gigantesca, e é dividido em alas, de acordo com o transporte (aéreo, marítimo, ferroviário e rodoviário). Há áreas externas com experimentos interativos, e as famílias levam muitas crianças para visitar o museu. Algumas atividades acontecem com hora marcada (funcionamento do trenzinho da maquete, crash-test (bem suave, 10km/h) com voluntários, entre outros) e há também outras atrações que são pagas à parte. Não é a visita mais indispensável de todas, mas se você tiver um pouco de tempo livre, vale a pena conhecer. Para uma visita dinâmica, sem se aprofundar demais em tudo que há disponível, acreditamos que metade de um dia é suficiente para se ter uma boa ideia do museu.

Para sair de Lucerna, compramos a passagem de trem diretamente nas máquinas de autoatendimento disponíveis na estação (Bahnhof Luzern) e pagamos com cartão de crédito. De lá seguimos para Zurique, onde pegaríamos nosso voo para seguir viagem.

ZURIQUE

Como demos apenas uma breve volta pela cidade, não temos muito que falar de Zurique. Mas ainda assim, podemos dizer que se trata de uma cidade grande, sem muito do charme de Lucerna. Há toda uma atividade comercial que a deixa com cara de metrópole de negócios. Saímos da estação de trem (deixamos nossas malas em um guarda-volumes na estação) e seguimos pela via principal que parte dela, a Bahnhofstrasse, onde também passa uma linha de bonde. Nessa rua, o que predomina são pessoas vestidas “à trabalho”, assim como muitas lojas de grife, de acessórios caros e cafés chiques. Um pouco à frente encontramos uma pequena praça, e dela era possível avistar uma das muitas igrejas (Fraumunster Kirche) próximas do Rio Limmat.

No final da Bahnhofstrasse, encontramos a Bürkliplatz Markt, uma praça que fica ao lado de uma bem movimentada avenida, a Bürkliterrasse (cuidado ao atravessar, os motoristas de Zurique são um tanto apressados e a velocidade ali é alta). Na praça existe uma escultura de um touro. Dali já é possível ver o Lago de Zurique, mas atravessando a avenida existe o terminal das balsas (Zürich Bürkliplatz) e o local de onde saem os barcos mais rápidos (Limmatschiff). O lago foi definitivamente a parte mais interessante de nossa volta pela cidade, mas não saímos de lá acreditando que ela merecia uma estadia. No máximo um “stopover” mais demorado, passando um dia no meio de algum percurso, e depois seguindo viagem.

Informações úteis:

Consulado Geral do Brasil em Zurique: Stampfenbachstrasse 138, 8006

Tel.: 079 742 53 00, em casos de emergência

 

De Lucerna, seguimos viagem para Roma.

Veja o roteiro completo da nossa viagem de 22 dias na Europa aqui.

Visitamos em: outubro/2014.

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